por J.H Cronin’s
Prefácio
Dedico essa obra a Lonndonair. Sem sua misericórdia, nada disso seria possível. Também dedico a todos que encontrei em minhas longas jornadas, que, diretamente ou não, contribuíram para o vasto conteúdo de meus escritos.
Durante décadas coletei dados sobre essa incrível e misteriosa região,que por toda a vida me fascinou. Colhi relatos de inúmeros viajantes e sábios, percorri milhas naquelas areias, visitei bibliotecas por toda Morgdan e finalmente a obra de minha vida está terminada. Esse é o mais completo e vasto documento sobre o Deserto Áureo, e sou levado a acreditar que continuará sendo por dezenas de anos. Espero que ele auxilie aqueles que buscam o conhecimento, bem como os viajantes que pretendem explorar tão singular região.
Introdução
A Imensidão Sem Fim, A Terra da Morte, O Limite do Mundo. Durante séculos muitos foram os nomes que denominaram o gigantesco deserto. Alguns acreditam que essa região foi o palco do ápice da Grande Guerra, a maior batalha que Morgdan já viu, em que Leonar, deus da luz, e Nosrredram, deus das trevas, teriam se enfrentado pessoalmente, numa batalha épica, de destruição inimaginável. Desse confronto, então, teria surgido o grande deserto, a terra em que nada pode crescer e prosperar. Outros dizem que essa região foi criada para separar o mundo dos deuses do mundo dos homens, e aqueles que conseguissem atravessar tal vastidão se deparariam com as próprias divindades, além de uma terra de imensos prazeres. Diversos pensadores classificam essas crenças de pura ignorância, afirmando que o deserto não passaria de um fenômeno completamente natural. O único consenso, no entanto, é de que alguém precisaria ser muito corajoso, ou muito estúpido, para colocar os pés nestas areias.
Geografia
O deserto é o território mais ao oeste de Morgdan, e suas areias se estendem desde o litoral oeste de Stormgard até o litoral norte de Stonegate. Poucos sábios arriscam dizer o seu tamanho preciso. Sabe-se apenas que nunca alguém foi capaz de cruzá-lo, alcançando seu fim, se é que existe um.
O relevo, obviamente, é dominado quase que completamente pelas areias, mas com certa freqüência é possível encontrar formações rochosas dos mais diversos tamanhos e tipos, que variam desde pequenas grutas a consideráveis platôs, existindo inclusive relatos de grandes cadeias montanhosas em seu interior.
A vegetação Áurea se resume a pequenos arbustos rasteiros que crescem em encostas rochosas e em pequenas dunas, algumas palmeiras nos raros oásis existentes, e uma planta muito singular, sem paralelos em outras regiões, conhecida popularmente como “matadeira”. Acima do solo, a planta assemelha-se com uma pequena rosa de pétalas amareladas, mas abaixo dele esconde-se um verdadeiro tesouro nessa terra árida: suas grandes raízes armazenam em seu interior grandes quantidades de água, o que talvez tenha originado seu nome, por “matar” a sede dos desafortunados que cruzam o deserto.
Demografia
O Deserto Áureo foi um das poucas regiões de Morgdan que após a Grande Guerra não recebeu nenhum tipo de colonização, graças ao seu clima. Contudo, durante os séculos seguintes, milhares de pessoas adentraram em suas terras pelo mais diversos motivos, como grandes expedições à procura do continente escondido que se localizaria atrás do grande deserto, cruzadas religiosas para atingir a terra prometida ou apenas grupos de aventureiros atrás das poderosas armas deixadas pelas forças da luz e da escuridão quando teriam se enfrentado na região. Nos últimos anos vários tipos de pessoas começaram a freqüentar o deserto, foras da lei, pessoas que tem algo a esconder ou querem se esconder de algo e exploradores, esses indivíduos foram atraídos para região por uma vila fundada há alguns anos conhecida apenas como a Cidadela, que abriga cerca de cinco mil pessoas.
Os únicos humanóides realmente nativos da região são os pertencentes a inúmeras tribos nômades que vivem nas bordas do deserto (ver abaixo), além dos orcs pertencentes ao extremo oeste do território. As tribos nômades são numerosas e, de acordo com as histórias trazidas por exploradores, podem facilmente chegar a cem mil indivíduos. Quanto aos orcs, é quase impossível quantificar seu número, mas pelos registros de batalhas que tive acesso na Cidadela, podem tranqüilamente chegar a casa dos milhares.
A aparência sem vida da região serve apenas para iludir os mais desavisados, pois o deserto é povoado por inúmeras raças de monstros dos mais diversos tipos, tamanhos, cores e poderes, sendo inútil tentar classifica-los aqui, já que a diversidade é extremamente grande e o máximo possível de se dizer é que quanto mais profundamente se adentra no deserto, maiores são os perigos.
Fatos e Lendas
O Deserto Áureo é um lugar único e misterioso. Alguns mais religiosos diriam místico, mas a verdade é que o principal motivo para tantas visões sobre o mesmo lugar é que para cada pergunta sobre essa região existem um número incontável de respostas, sendo essa a razão para descrevermos fatos e lendas em um único tópico. Elas se misturam de tal forma que nem mesmo o mais sábio dos escribas poderia diferenciar com exatidão o que é verdade do que é mito.
Nascimento
Existem inumeráveis versões sobre o surgimento do deserto, o que ele representa e o que encontra-se no seu término. Aqui colocarei as mais difundidas e aceitas.
Luz V.S. Trevas
Nos meios religiosos, essa é a tese corrente. Baseada em manuscritos seculares que apenas os mais altos sacerdotes tem acesso, foram precisos anos para que eu conseguisse permissão de estudá-los.
Leonar, deus da criação, cansado do impasse em que a Grande Guerra havia chegado, resolveu liderar seus numerosos exércitos pessoalmente no campo de batalha em um ataque final, que deveria decidir o rumo da guerra. Após meses de preparação, Leonar marchou com o mais poderoso exército já visto, o rufar dos tambores era ouvido a milhas de distância, a poeira levantada pela marcha de centenas de milhares de soldados cobria os céus, cada soldado carregava poderosas armas mágicas criadas pela mais poderosa magia. O exército percorreu milhas, que pareceram metros pelo entusiasmo dos soldados, chegando enfim a um enorme vale, que dava acesso a uma das principais fortificações de Nosrredram, deus da destruição.
Todavia os exércitos das trevas estavam à espera. Uma legião ainda maior que as tropas de Leonar se exprimiam no gigantesco vale, agora minúsculo tal a quantidade de homens dos dois lados. O Deus da morte também havia se preparado e, a exemplo de seu rival, estava também liderando seus súditos pessoalmente.
Enquanto as forças da luz e escuridão se digladiavam em um combate extremamente violento, Nosrredram e Leonar lutavam separadamente, e a cada golpe montanhas se desfaziam, florestas entravam em chamas e rios secavam. Exatamente seis dias e seis noites durou a grande batalha, os exércitos reduzidos a uma fração do que eram acabaram se retirando, mas os dois Deuses ainda lutaram por vários dias. Leonar saiu vitorioso do embate, embora extremamente enfraquecido e abatido. A região estava totalmente destruída e estéril, apenas os corpos em estado de putrefação davam sinal de que um dia ali houvera vida. Alguns manuscritos consideram que o verdadeiro vitorioso foi Nosrredram, que conseguira manipular seu inimigo mortal para que realizasse seus próprios objetivos: a transformação de uma grande região, antes bela e próspera, em um deserto sem vida e hostil.
Delimitador
Dessa teoria não se conhece a gênese, mas é muito difundida e levada a sério em todos os reinos. Segundo ela, o Deserto Áureo seria uma região de transição, aonde apenas os mais fortes e puros poderiam passar, um lugar que separaria o mundo dos mortais do mundo dos deuses e aqueles que conseguissem mostrar seu verdadeiro valor nessa peregrinação, chegando ao fim do deserto, seriam agraciados com a vida eterna, nesse paraíso que haveria do outro lado.
Muitos sacerdotes e cultos têm essa lenda como um fato verídico e esse é um dos grandes motivos de peregrinações e explorações para a região.
Final do Mundo
Outra lenda muito popular sobre o grande deserto não trata sobre seu surgimento, mas apenas sobre o que há no final dele: as pilastras, o penhasco do fim do mundo. Um lugar a ser evitado, para aqueles que não quisessem passar o resto da eternidade vagando sem rumo pela imensidão cósmica.
Seres e Lugares
Há centenas de relatos sobre monstros gigantescos, catacumbas abandonadas e tesouros perdidos. Aqui descreverei apenas os mais interessantes e plausíveis de que tomei conhecimento.
Torre Dourada
O Deserto Áureo, segundos muitos, é a terra da lendária Torre Dourada, sede da poderosa ordem do Dragão Dourado, que seria também a morada do Grande Dragão, onde ele treinaria pessoalmente os cavaleiros da Ordem. A lenda ainda diz que a Torre é envolta por uma grande magia ancestral que permitiria que a cada hora do dia sua localização fosse diferente e que apenas os membros da ordem, e pessoas que o grande Dragão desejasse, fossem capazes de encontrá-la. A Torre, segundo relatos, é feita com tijolos de ouro, e os poucos indivíduos que a teriam visto afirmam que ela se assemelha muito com uma miragem quando avistada a distância.
O fato é que ninguém sabe exatamente em que parte de Morgdan se localiza a Torre Dourada, visto que esse é um dos grande segredos da Ordem. Tais rumores sobre sua localização se devem em grande parte pela razão de que membros da ordem são vistos com certa freqüência nas proximidades e até dentro das areias do grande deserto.
A Horda Negra
Muitos viajantes afirmam terem visto verdadeiras hordas de corpos em decomposição vagando sem rumo pelo deserto, e afimam tratar-se dos corpos de todos aqueles que teriam perdido suas vidas no deserto, e em que alguma época do ano todos eles voltariam para se vingarem daqueles que ainda vivem. Outros comentam que essas hordas seriam almas atormentadas dos que morreram da batalha entre as forças de Leonar e Nosrredram, que por terem presenciado tamanha destruição, suas almas nunca poderiam descansar em paz. A horda seria composta por mortos vivos comuns como esqueletos e zumbis, mas entre eles poderiam ser encontradas criaturas mais mortais como dragões esqueletos e demais mortos vivos extremamente poderosos que carregariam tesouros retirados de suas vitimas.
Os relatos sobre a visão dessa aterradora horda são basicamente cíclicos, o que confirma em parte a tese de que esses mortos vivos se ergueriam em algumas datas especificas do ano, mas seus motivos ainda permanecem desconhecidos.
Cythia
De acordo com aventureiros, nas noites de lua cheia uma linda garota humana, aparentando seus primeiros anos de adolescência, pode ser vista andando sem rumo pelo deserto. Totalmente desorientada e assustada, pois de acordo com seu relato a caravana em que se encontrava acabara de ser atacada e ela seria a única sobrevivente.
A grande beleza e ar angelical são apenas disfarces para sua verdadeira e terrível natureza. Sobreviventes de grupos, que ofereceram ajuda a tal garota, relatam que alguns dias depois de caminharem em companhia da jovem os membros do próprio grupo começam a brigar entre si influenciados pelas intrigas plantadas por Cythia, dizem que a garota possui algo de hipnotizaste que faz com que todos que a vejam fiquem imediatamente seduzidos por sua beleza e comecem a aceitar sem questionamento suas sugestões, apenas indivíduos do sexo feminino resistiriam a tal encantamento.
Ouvi tal historia inúmeras vezes, nesses cinqüenta anos de pesquisa sobre o deserto, todos relatos idênticos. A jovem, na verdade seria algum tipo de demônio ilusionista e estaria vagando pelo deserto em busca de almas que pudesse usar para se alimentar, revelando sua aparência demoníaca apenas quando o grupo que acompanhasse tivesse dizimado a si mesmo. Porém em uma das minhas ultimas viagens ao deserto ouvi um relato totalmente inédito e que não sei ao certo o motivo me convenceu que essa realmente era a versão verdadeira. De acordo com a pessoa que transmitiu a história, uma velha de aparência atormentada, Cythia é apenas a vitima de uma terrível maldição. Há muitos anos atrás era uma bela e jovem aristocrata da Cidadela. Todos os homens caiam aos seus pés e após conseguir o que desejava como jóias, presentes e poder os descartava como uma criança se desfaz de um brinquedo velho. Sua falta de escrúpulos era notória, sempre que possível fazia intrigas e prejudicava qualquer mulher que pudesse competir com sua beleza, corriam boatos que ela era a mandante de alguns assassinatos contra suas rivais. Porém um ela se apaixonou, com toda sua alma, por um belo elfo. Forasteiro e trovador. Mas mesmo usando todos os seus métodos de sedução, nada conseguiu, o coração do jovem bardo já havia sido conquistado por outra. Por uma jovem que Cythia jamais prestará a mínima atenção, e desprezava completamente, Elizabeth uma de suas serviçais. Semanas se passaram e apenas a angustia e o desespero se apossavam da jovem aristocrata. Um dia, após uma violenta discussão com Elizabeth. Cythia tomada pela raiva e loucura desferiu inúmeros golpes contra a serviçal, com uma adaga que possuía, matando-a. O bardo ouvindo rumores do acontecimento correu com todas suas forças para o palacete onde havia acontecido o incidente. Chegando lá, vendo o corpo de sua amada, desesperado e sem saber o que fazer, preferiu a morte a viver sem o seu amor. Mas antes de desferir um golpe mortal contra seu próprio coração, amaldiçoou Cythia por toda a eternidade. Foi levada a julgamento, que se arrastou por meses, graças a influencia de sua família. Mas aos poucos foi sendo consumida pela culpa e saudades de seu amado, por fim, acabou morrendo semanas antes de ser promulgada a sentença.
Dragões de Areia
Talvez um dos maiores perigos encontrados na região. Sua rapidez e astúcia podem surpreender o mais veterano dos guerreiros. O Dragão de Areia se trata de um primo distante dos grandes dragões alados, visto que, possui tamanho reduzido e a ausência de asas. Possui escamas que variam do marrom escuro ao bege, o tamanho médio de tais criaturas é de cerca de quatro metros de altura e oito de comprimento. São peritos em emboscadas, geralmente surpreendem, os desafortunados que cruzam o seu caminho, com sua grande baforada de ácido e mutila com suas garras e dentes afiadíssimos, as pessoas restantes. Mas o que faz o dragão ser uma das criaturas mais mortais do deserto é sua capacidade de se locomover a baixo da areia, vibrações no solo podem ser sentidas quando ele se aproxima, porém nesse momento já é tarde demais.
Dragões de Areia são de natureza solitária, mantendo uma estrutura familiar apenas nos seus primeiros anos de vida. Suas tocas são encontradas geralmente a cem metros abaixo das areias, sendo o acesso quase impossível as demais criaturas, que teriam de escavar para chegar lá.
Por sorte os Dragões de Areia são raros e suas aparições se concentram no interior do deserto, porém de tempos em tempos alguns indivíduos da raça se movem para as movimentadas e populosas bordas do território deixando um rastro de morte e destruição por onde passam.
Dunas de Ouro
Uma das lendas mais antigas e populares sobre o deserto. Tamanha é a popularidade desse mito que o território deve seu nome a ela.
As histórias contam que em algum lugar, mais provavelmente em seu fim, as areias do deserto se transformariam em ouro em pó. Tal ouro seria o responsável pela aparência dourada que a areia possui ao se olhar para o horizonte do deserto. Essa lenda é a responsável por uma quantidade realmente muito grande de aventureiros na região, porém ninguém nunca encontrou tal lugar e quanto mais se anda no deserto mais distantes parecem as dunas douradas no horizonte o que fazem muitos dizerem que é apenas a composição da areia do deserto que faz esse peculiar fenômeno no horizonte.
Vila de Alderaim
A Cidadela
Comunidades e tribos nômades
Existem três grandes tribos que merecem ser mencionadas por seu tamanho e poder, mas existem inúmeras outras de menor importância.





